Relacionamentos Improvisados, Clary

novembro 13, 2013

3º parte
Estava no meio de uma estrada, havia nevoeiro por todo lado, mal conseguia ver os meus próprios pés enquanto andava e no lado da estrada árvores que tapavam quase o céu de tão grandes que eram nas suas ramagens. O nevoeiro no entanto era tão pesado que enquanto andava mal conseguia respirar com aquela humidade toda. E eu estava a usar um vestido branco?!
Não percebia porque tinha que andar apenas tinha que saber o que havia a minha frente mas ao mesmo tempo estava tão escuro e com o nevoeiro sentia me observada. Onde me iria levar?
Até que cheguei finalmente a um cruzamento e o nevoeiro dispersou. Eu parei confusa e olhei para trás onde podia ver o caos, trovoada, chuva, fogo e bem (sem querer soar deprimida) morte. Arrepiada olhei para o meu lado, onde a estrada ia dar ao mar calma como se fosse a aurora. Eu podia seguir aquela estrada mas ainda estava muito curiosa, olhei para o meu lado esquerdo a estrada ia dar a um parque abandonado a um vazio profundo de carroceis. E minha frente estava o nevoeiro mais concentrado e iluminado como se atrás dele estaria um tesouro escondido. Dei um passo em frente domada pela curiosidade, mas os meus pés não se mexiam. 
Tentei dar um passo mas não conseguia, arrepiei-me e olhei para baixo, os meus estava presos. Eu abaixei-me para me libertar mas ao colocar a mão nos meus ténis estavam duas mãos esqueléticas. 
Assustada tropecei e cai de costas conseguindo-me soltar, tentei fugir mas uma mão agarrou-me no ombro fazendo parar, olhei para trás e no lado do caos uma figura vestida de negro estava a me agarrar. Ela aproximou-se perto de mim, eu não conseguia ver o seu rosto por causa do capuz. o seu hálito cheirava a podre e quando agarrou-me com a sua mão fina no queixo acordei sobressaltada.
Ok, pensei meio a dormir olhando para a janela, definitivamente tenho que parar de ver sobrenatural! Olhei para Clary que estava a dormir contra mim com uma mão a redor da minha cintura, mas quando reparei no cabelo loiro corto no meu ombro assustei-me, pois era obviamente um rapaz. Afastei-me e reconheci-o era o namorado de Marise. Ele era loiro com olhos azuis, com a pele pálida perfeita com um pouco de barba no queixo quadrado, com ombros largos e braços musculados e muito magro. Ele estava com uma camisola preta com gola de lá e calças de ganga com as botas em cima do banco. Ele estava mesmo em cima de mim, e estava a me fazer calor. 
Com cuidado para não o acordar empurrei-o levemente para o banco, ele mexeu-se e virou as costas para mim. Suspirei e peguei no telemóvel, tinha 3 mensagens do Niall. A primeira dizia "Já tenho saudades tuas, estou a pensar em ti a todo o tempo", ok, não era má de todo. A segundo dizia "Não dizes nada? Manda um beijo para as outras". Ok, um pouco preocupante. A ultima no entanto batia todas ""Clary se for preciso eu vou ai,  basta pedires". 
 No inicio ele não fora assim, namorávamos à um ano e ao inicio ele fora doce, simpático e completamente um cavalheiro, mas com o passar do tempo começamos a nos afastarmos, de tal forma que até começava a ser estúpido mas nenhum de nós conseguia terminar e nestes últimos meses as coisas pioraram ao ponto de ele ter crises de ciumes e querer saber o que estava a fazer e com quem andava. Estava a me sufocar mas ele amava-me e eu não o queria magoar... Estava lixada!
Suspirei irritada e mandei-lhe uma mensagem "Eu estou bem, elas estão bem!"... 
Olhei para a janela onde se podia ver o sol a nascer no meio de um monte me para já estar a amanhecer só significava que estávamos perto de chegar a Madrid.
- Estás bem?
Assustada olhei para o lado vendo que o rapaz estava acordado a olhar para mim preocupado. Os olhos dele eram de um azul profundo e me olhava de uma maneira que me fez arrepiar, ele era normal?
- Porque perguntas? . Perguntei confusa.
- Estás a segurar o telemóvel como se quisesses o esmagar - disse olhando para a minha mão.
Olhei para a minha mão e reparei que estava a agarrar o meu telemóvel com os dedos brancos da força que o segurava.
- Nem reparei - sussurrei largando-o no meu colo.
- Estás bem?
- Que é que estás aqui a fazer? - Perguntei olhando para ele desconfiada. - Não devias estar com Marise?
Olhei para o banco da frente e vi que Anya estava a dormir lá e olhei para ele desconfiada.
- Estamos com problemas - disse encolhendo os ombros - pedi a Anya para trocar comigo, espero que não te importes. Já agora chamo-me Luck.
- Clary. E é na boa.
- Ainda não me disseste que se passa - disse olhando para mim preocupado.
- Problemas - disse encolhendo os ombros.
- Então é o teu namorado hum? - Perguntou-me dando meio sorriso fazendo uma covinha na bochecha deixando-me um bocado desorientada.
- Sim... Estamos a ter alguns problemas.
- Oh rapariga, eu sei o que são problemas acredita.Tens alguém com quem possas falar? As tuas amigas? - Perguntou-me olhando para mim atento.
Engoli em seco e olhei para trás para Nora, ela estava acordada a olhar para a janela nervosa podia ver pela maneira como estava a mexer os dedos, e Taylor estava a dormir com a cabeça no seu ombro.
- É complicado.
-Porquê?
- Tenho uma amiga minha que acabou um relacionamento duro e complicado que a deixou completamente confusa e nós viemos para cá por causa dela não por mim.
- Então tu não queres ser o centro de atenções quando há alguém que também precisa?
- Exacto, e eu não gosto de atenções.
- Bem, eu estou no mesmo barco contigo mais vale partilharmos os nossos problemas. E as vezes faz bem falar com alguém que não se conhece...
Eu olhei para ele confusa, ele estava a olhar para mim quase desesperado. Estavam dois amarados a uma relação estragada neste autocarro!
- Tu precisas de falar? - Perguntei olhando para ele preocupada.
Ele riu levemente e olhou para Marise que estava a dormir contra a janela roncando levemente.
- Eu só falo se tu falares.
- Ok - disse pondo as pernas nos bancos abraçando os joelhos olhando para ele - eu namoro com o Niall a um ano, e ao inicio estava a correr bem tudo parecia sair de uma espécie de conto de fadas em que ele fazia-me surpresas no meio de aulas, na rua, era perfeito e acabamos por nós apaixonar, cai por ele e ele por mim e de repente tudo começou a andar demasiado depressa. - Disse virando-me para a janela, onde a paisagem passou de rural para urbana. - Começamos a falar do futuro de como seria... Mas a uns meses tudo começou a ser uma rotina e o amor que nós tínhamos passou a ser apenas amizade, e ambos sabemos mas sempre que tentava falar com ele, ele agarrava mais ao que tínhamos e começou a ser controlador ao ponto de querer saber com quem andava. Por isso quando aconteceu o que aconteceu com Nora, eu aproveitei para me afastar dele para perceber se vale a pena continuar com ele ou não.
- É um grande dilema! - disse espantado olhando para mim.
Eu olhei para ele e encolhi os ombros sorrindo levemente.
- Eu não sei o que te dizer! Não sou a melhor pessoa para te dar um conselho - disse dando-me uma garrafa de água.
Eu recusei dando meio sorriso e ele bebeu de uma vez quase metade da garrafa fazendo-me olhar para ele espantada, ele tapou e olhou para mim a sorrir de orelha a orelha.    
- Queres falar sobre ti e a Marise? - Perguntei baixando os joelhos.
Ele olhou para o banco da frente onde ela dormia e mordeu o lábio o que me fez querer beija-lo... Oh meu deus... o que raio se estava a passar comigo, olhei para o lado para a janela respirando fundo.
- Não aqui... quando sairmos, não te importas estar comigo e não com elas por um bocado?
- Não, se ficarmos perto delas elas não percebem que estamos a falar de algo serio - disse sorrindo - mas porque queres falar comigo?
- Primeiro porque eu não posso falar com os rapazes sobre isso, Taylor está anti-raparigas, na verdade sempre teve e Nathan não tem paciência e tu estás a passar por isso e também não tens com quem falar e algo me diz que vou ter uma longa viagem e se eu não falar com alguém estouro. E eu não quero agir de cabeça quente com a Marise, por isso acho que só nos temos a nós.
- Tu não me conheces...
- É isso que conta - disse dando-me um sorriso  - além disso pareces-me uma boa rapariga. Ambos precisamos.
- Acho que tens razão.
- E em relação ao que está acontecer contigo acho que precisas de tempo, mas eu acho que se não se amam mais vale acabar, a limites para tudo - disse encolhendo os ombros.
Ajeitei o cabelo e olhei para ele tentando controlar a minha irritação.
- Mesmo assim pode ser um erro, eu amava-o é normal as vezes os casais começarem a ter rotinas e o amor passar mas pode voltar...
Ele riu e eu olhei para ele confusa ele estava a olhar para mim atentamente.
- Estás a fugir dele, estás furiosa pelas mensagens dele, estás aqui com a desculpa que a tua amiga está de coração partido quando na verdade estás a tentar evitar acabar com ele.
Fiquei a olhar para ele sem saber o que dizer, e uma raiva apoderou-se de mim.
- Quem julgas que és para me julgar assim? Tu não sabes nada sobre mim! - Exclamei fazendo com que varias pessoas olhassem.
- Não, é verdade, eu não sei nada sobre ti. Mas sei o que é estar nessa posição - disse dando meio sorriso olhando para Marise de relance.
Será que ele estava a ter o mesmo problema que eu com Marise? Ele queria terminar? Ou ela queria terminar? Abri a boca para falar mas um silvo fez com que todos nós tapássemos os ouvidos.
- Bom dia. Em pouco minutos estaremos na Puerta del Sol, onde vamos passear por isso peço-vos para se preparar.
Todos acordados começaram a arrumar tudo para quando o autocarro parasse. Marise acordou e olhou para Luck, com um olhar cortante antes de responder a uma pergunta de Anya. Eu olhei para Luck que apenas encolheu os ombros. Olhei para Nora, ela estava a guardar a manta na mochila e Taylor parecia aborrecido a olhar para ela. Olhei para Aurya, ela estava a rir-se com o Nathan. Em pouco tempo tínhamos parado a beira de uma praça enorme. com um edifício enorme com janelas grandes, uma porta enorme de madeira escura e em cima no topo tinha uma torre com um relógio e em cima uma um sino numa espécie de copula. Na varanda maior tinha uma espécie de tapete vermelho com um design lindíssimo com floreados e em cima tinha hasteadas bandeiras de Espanha e da Europa. A frente encontrava-se uma praça enorme com algumas estátuas e uma fonte.
Todos se levantaram no momento que as portas se abriram e começaram a sair, eu e Luck esperamos para que o corredor o ficasse vazio para passarmos com o restante pessoal que conhecíamos. Assim que saimos reparei no céu que estava mais ou menos limpo com o sol a começar a brilhar, eu coloquei os óculos de sol e foi para a beira de Nora e de Aurya, que estavam a falar do que se passara com a foto que Nathan tirara-lhe. Anya estava mais atrás a falar com Marise e Nathan e Taylor estavam a observar a cidade a movimentar-se.
- Eu ainda não acredito que estamos aqui - disse Aurya dando-me um abraço entusiasmada.
Eu ri-me enquanto Luck falava com os rapazes, ao ela se afastar eu toquei na maquina fotográfica que tinha ao pescoço olhando para ela desconfiada.
- É do Taylor, que emprestou ao Nathan que emprestou-me a mim -disse encolhendo os ombros.
- Já percebi isso, já está tudo resolvido com o Nathan então? - Perguntei olhando para ela, para ter certeza que estava bem.
- Está. - Disse dando meio sorriso e com um brilho estranho no olhar.
Olhei para a Nora, ela estava a olhar para o edifício parecendo pensativa sobre algo. Taylor apesar de estar com óculos de sol estava virado para ela com a boca franzida parecendo ainda mais perigoso.
- Nora, está tudo bem?
Ela olhou para mim e encolheu os ombros sem sorrir muito. Anya veio para a nossa beira parecendo exausta.
- Importaste de falar com o Luck? - Perguntou-me olhando-me implorando.
- O que se passa? - Perguntou Nora preocupada.
- A Marise pensa que Luck já não gosta dela, pensa que ele não está mais interessado nela e que anda distraído - disse revirando os olhos - mas mais na historia do que ela quer contar.
Olhei para Luck que estava a olhar para mim enquanto Marise falava com ele, ele desviou logo o olhar para ela e Taylor pôs a mão no ombro de Marise para ela se calar.
- Eu falo - disse franzindo os lábios - mas também não sei bem o que se está a passar, mas já combinei com ele que íamos falar quando reparei que ele tinha trocado de lugar contigo porque estavam a discutir.
- Obrigado.
- Ahhh! A ironia -sussurrou a Nora colocando os óculos.
Nathan e Taylor chegaram a nossa beira e olharam para ela enquanto ela prendia o cabelo num coque descaído fazendo com que a frente no rosto ficasse algumas madeixas soltas que se agitaram por causa do vento.
- O que é a ironia? - Perguntou Nathan olhando para ela mas puxando levemente o cabelo de Aurya fazendo com que ela olhasse para ele corada.
- O facto de nós termos vindo para aqui para fugirmos para está viagem por causa de problemas com namorados e chegarmos aqui com um casal a precisar de ajuda como disse ironia - disse mordendo o lábio.
- Há alguém nesta viagem sem um coração partido? - Perguntou Taylor em voz baixa como se falasse para si mesmo.
Todos olhamos para ele mas antes que alguém falasse um senhor começou a chamar-nos.
- Bom dia - disse um senhor com um blazer azul escuro com aparência de 30 anos - eu vou ser o vosso guia e espero que respeitem o grupo e que se mantenham por perto, procurem andar em pares ou em grupos. Agora se olharem para a vossa direita, podem ver o mais antigo edifício da Puerta del Sol a casa de correios onde tem como podem ver a torre de relógio que marca a contagem decrescente no dia 31 de Dezembro para o ano novo...
Eu olhei para a fachada do edifício onde a cima da varanda estava uma gravura de dois leões e um brasão com uma coroa acima.
- É lindo por acaso - sussurrou uma voz atrás de mim.
Olhei para trás e vi que Luck estava mesmo atrás de mim quase encostado a mim, Marise estava a falar com Anya em surdina.
- Que se passa entre ti e a Marise? - Perguntei olhando para ele desconfiada.
-  Nada.
- Ok - virando-me para o guia que estava a falar sobre algo do quilometro zero.
- É esse o problema, já não há nada entre os dois. Deus, nunca houve!
Olhei para ele sem perceber o que ele estava dizer e ele apenas encolheu os ombros.
- Podes explicar? - Perguntei olhando para ele confusa. - Vocês namoram, algo está acontecer. Vocês estão juntos e estão a discutir, definitivamente algo está acontecer.
- Com ela, não comigo.
Abri a boca para falar com ele mas ele empurrou-me para a frente gentilmente em direcção a grupo que estava a começar a andar em direcção a estátua de um cavalo com um cavaleiro, nós ficamos para trás e eu podia ver que Nora estava a evitar Taylor e Aurya a tirar fotos com o Nathan ao lado a ajuda-la e a Marise e a Anya a falarem em surdina afastadas perto do guia. Eles pararam e esperaram por nós, Nora deu-me meio sorriso e Aurya olhou desconfiada para o Luck que me agarrava nos ombros.
- Podes falar comigo. - disse-lhe quando viramos para a outra estátua com uma árvore e um urso.
- Eu sei, eu sinto que posso te contar tudo na verdade - disse parecendo serio quando olhei para ele, pensativo sobre algo.
Ele ficou pensativo sobre o assunto e eu dei-lhe tempo enquanto ouvia o guia falava sobre a estátua, olhei para Aurya que nos tirava fotos enquanto o Nathan falava com ela fazendo-a rir, Nora estava a ouvir musica com Taylor atrás dela parecendo hesitante sobre algo. Nesse momento Nora tropeçou numa pedra quase caído em cima de um ferro se não fosse Taylor a agarrar a sua cintura puxando-a para trás num abraço. Quase todos paramos a olhar para eles, enquanto Nora ainda em choque agarrou Taylor no braço, respirando fundo.
- Oh meu deus! Nora tu estás bem? - Perguntei agarrando mão dela.
- Estás sempre distraída? - Perguntou Taylor que estava pálido que nem papel agarrando-a mais forte para ter certeza que estava equilibrada. - Acabaste de roubar anos da minha vida! Deus!
Ela respirou fundo e saiu do abraço dele, ele olhou para mim e de seguida olhou para ele.
- Obrigada - disse respirando fundo e olhou para todos - e sim estou bem, foi só um  susto. Estamos a ficar para trás.
Respirei fundo enquanto ela andava para a frente com o Taylor ao lado que estava a olhar para ela cautelosamente. Aurya estava a falar com Nathan olhando para Nora preocupada.
- Ela é sempre distraída? - Perguntou Luck ao meu lado que também estava ligeiramente pálido.
- Hoje mais do que antes - disse pensativa enquanto parávamos um pouco atrás do grupo. - Vamos mudar de assunto, não perguntes sobre ela.
Ele acenou e suspirou enquanto Marise olhava para ele desconfiada. O guia estava a gesticular enquanto falava e alguns casais riam um pouco das piadas. Nora estava a olhar para a estátua e estava a falar sorrindo com o Taylor que observava a estátua analisando-a e se eu conhecia Nora ela estava a inventar uma história saída da sua imaginação. Sorri com esse pensamento, ela era uma sonhadora, e o seu ex detestava isso e arranjara de matar a sua imaginação, Taylor parecia entretido com isso, fascinado dando a sua opinião... o que não era bom sinal ou era? Nathan estava perto a tirar fotos a Aurya que ria corando, nunca a vira assim tão divertida com um rapaz.
- Ela é lésbica!
Virei-me tão rápido para Luck que quase fiz me magoei no pescoço, ele estava a olhar para a estátua como se tivesse quase a chorar, o cabelo dele brilhava no sol num loiro mais claro, com os olhos azuis escuros e brilhantes.
- O quê? Começa pelo inicio - pedi espantada.
- Foi a três anos, eu conhecia e apaixonei-me... - disse enquanto seguíamos para a passadeira, as pessoas passavam por nós e nem reparavam enquanto falavam espanhol era tão confuso que tive que me chegar mais perto dele. - Ela era a rapariga mais bonita que eu já vira na minha vida, e eu me fiz prometer que nunca a largaria até ao fim da minha vida, ela era generosa, carinhosa e me compreendia. Mas eu tinha medo de arriscar. Ela era perfeita e eu apenas era eu. Percebes?
Ele olhou para mim de relance e eu acenei. Atravessamos a estrada mesmo atrás de Taylor e Nora.
- E eu deixei passar o tempo com medo até que a um ano eu não consegui mais, foi ter com ela a casa dela bati a porta e disse-lhe que a amava. - Disse e ele sorriu para mim. - Ela olhou para mim paralisada, quase a chorar e eu pensei para mim mesmo são lágrimas de alegria e então ela disse tão baixo que eu pensei ter ouvido na minha cabeça, eu sou lésbica.
- Eu não estou a perceber - disse enquanto entravamos numa rua de edifícios antigos e passeios estreitos. - Como é que vocês estão a namorar?
- Passou-se um mês de eu admitir isso quando ela procurou-me e pediu-me em namoro, para disfarçar para ninguém desconfiar de nada. Eu era para dizer não, mas então pensei porque não? Se é a única maneira de estar com ela melhor assim, então eu disse sim. Nós beijávamos a frente de todos, namorávamos um pouco e ninguém fazia perguntas.E eu estava cada vez mais apaixonado, só que a uns meses percebi que estava a torturar-me e que estava a ser masoquista, magoando-a por beijar alguém que não gosta e beijando-a quando estava apaixonadíssimo por ela. Então eu confrontei-a, eu queria terminar e foi ai que ela revelou ser a pessoa que não era. Egoísta, egocêntrica e sem auto-estima, quando viu que eu ia mesmo terminar usou o que eu sentia por ela contra mim, beijou-me e eu não consegui terminar.
Eu olhei para Marise que estava a falar com Anya e parecendo contente reparei que ela meio parecia uma cabra com mania e eu detestava esse tipo de pessoas.
- Antes que digas alguma coisa, esse amor que tu tinhas, estavas iludido e ela usou-te, sabendo que a amavas usou isso para ter o que queria, ela magoou-te todos os dias e ela apreciou isso desde que o seu segredo estivesse a salvo ela não queria saber o que sentias.
- Eu apercebi-me disso tarde demais - disse-me olhando para mim e tirando uma madeixa da frente dos meus olhos colocando atrás do meu ouvido. - Passando algum tempo já não queria saber, já não sentia nada por ela.
Arrepiei-me com o toque dele e olhei para a frente constrangida.
- E a uns dias para cá ela conheceu uma rapariga e apaixonou-se e veio ter comigo para me pedir desculpa e ajuda, só que ela não quer sair do armário, tem medo, é por isso que estamos aqui, precisa de ar e saber o que fazer e eu apesar de tudo estou a tentar ajudar e também porque a rapariga está nesta viagem.
Eu reparei que o grupo estava a entrar numa pastelaria com o guia e eu parei perto e olhei para ele.
- Eu acho que és um grande amigo, apesar de tudo o que ela te fez estás disposto a arriscar por ela e apoia-la isto deve estar a ser difícil para ela.
- Mesmo não amando-a eu gosto muito dela como se fosse irmã, na verdade acho que me iludi quando pensei que a amava, estava apenas a ver uma faceta dela. És a única pessoa que me ouviu sem me julgar sobre isto.
- Quem sabe?
- Taylor, que me apoia também mas como disse ele é anti-raparigas e o Nathan que me chamou besta! Mas ele nunca teve uma namorada a serio.
- Bem a única coisa que te posso dizer é que te admiro muito. - disse sorrindo - talvez encontres alguém, até mesmo nesta viagem.
Ele sorriu com as covinhas marcadas fazendo-me corar um pouco.
- Talvez... - disse olhando para mim com os olhos a brilhar. - És uma boa ouvinte.
- Obrigada. - Disse sorrindo - eu tento.
Ele ficou a olhar para os meus olhos com meio sorriso, meio sedutor fazendo-me um friozinho no estômago.
- Ei, Clary, Luck! - Chamaram fazendo-nos sobressaltar, olhamos para a porta da pastelaria onde Nora estava a espera. - Nós vamos comer o pequeno almoço, vem?
-Claro! -Exclamei dando um meio empurrão ao Luck.
Nós entramos, era um local acolhedor, com mesas espalhadas com cadeiras de madeira e o balcão era de madeira escura e cheirava a pão acabado de fazer. Nós seguimos Nora até a um canto da pastelaria onde estava o nossos grupo todo sentado. Nora sentou-se a beira de Taylor e juntou-se a Aurya a ver as fotos com Nathan. Marise estava a conversar com Anya, eu sentei-me a beira dela e Luck a beira da suposta namorada. Que se atirou a ele num beijo que fez com que nós todos olhássemos espantados, de tão intimamente próximo que era. Anya, Nora e Aurya riram-se um pouco constrangidas enquanto eu, o Taylor e o Nathan olhamos para a cena um pouco espantados e indignados sem saber o que fazer. Luck apenas agarrou-se a cadeira e ficou rígido fingindo beija-la. Quando se separaram Marise olhou directamente para mim me fazendo baixar a cabeça.
- Ok, quem vai querer café? - Perguntei lutando para não parecendo afectada com a cena.
Todos quiseram, eu levantei-me rapidamente e foi ao balcão tentando controlar a confusão que ia na minha cabeça. Olhei para a mesa e vi que Luck olhava para mim com uma confusão de emoções no seu rosto, de pesar, pena, arrependimento, confusão e de desculpa. Pisquei lhe olho e sorri-lhe um pouco. Virei-me para a frente e apercebi-me que se continuasse a me aproximar dele, eu iria me apaixonar, pensei fechando os olhos lembrando-me de Niall.

Viagem Inesquecível

You Might Also Like

0 comentários

Like us on Facebook