O Rapaz Da Casa Ao Lado

Vizinho Perfeito
1º Parte
Observei o meu caderno pensativa, enquanto tentava perceber se tinha algum erro para corrigir, afinal eu tinha que dar o meu máximo. E agora vocês devem se perguntar quem é aquela rapariga sentada num escritório a olhar para um livro pesado de historia, quando devia de estar a gozar o final das aulas?
Bem, o meu nome era Eve Wayland, tinha 17 anos e tinha aulas em casa desde os meus seis anos quando a minha mãe morreu de um acidente de carro. Não é como se fosse escolha minha, fora do meu pai, queria ter certeza absoluta que eu teria a melhor educação possível, sem distracções para entrar na melhor universidade do pais. As minhas melhores e únicas amigas dizem que eu ainda vou me passar da cabeça estar fechada em casa, mas eu saia as vezes, sai para o cinema, para o café, para correr, até para compras. E o escritório onde estava era confortável, paredes bege com gravuras a dourado pintadas por mim, com quadros de cidades, como Paris, Londres e Nova Iorque, fotografias que tirei quando foi visitar com o meu pai. Tinha uma secretaria de madeira escura no centro do escritório, com uma cadeira de couro grande com apoio. Na secretaria tinha um computador fixo de tela grande e com uma capa protectora de couro que eu tinha escrito em prateado milhares de vezes poemas, tinha dicionários com apoios com a letra A e Z com um candeeiro antigo. Atrás de mim estava duas estantes de madeira escura com livros académicos, na estante a esquerda de madeira escura tinha os meus livros que eu adorava ler por prazer. Entre as estantes estava a uma cómoda de madeira escura onde tinha todo o meu material, para as aulas. 
A minha esquerda a parede era substituída por uma parede de vidro que dava-me uma vista fantástica para a cidade e para o quarto do meu vizinho, pensei olhando para a janela para o quarto dele. Deixem-me explicar antes que pensem que eu sou uma bisbilhoteira. Eu desde a 7 anos que eu estava sem vizinhos, mas a uns meses mudaram-se para a casa ao lado uma família, com um rapaz da minha idade que ficou com o quarto virado para o meu quarto. No primeiro dia quando foi para dormir as minhas cortinas estavam abertas e a dele também, por isso quando entrei no quarto, ele também estava a entrar, acenou-me e sorriu-me, eu escrevi-lhe um bilhete e pôs o a janela, mas ele fechou as cortinas antes de ver. Desde ai evitava estar com as cortinas abertas, mas as vezes não havia como evitar e conseguia vê-lo as vezes a fazer exercício, a estudar, a cantar ou a ler e as vezes apenas a olhar para o meu quarto. Era estranho, eu sei, mas não podia evitar, queria conhece-lo... mas ao mesmo tempo não queria. 
Olhei para o quarto dele e vi que ele estava de costas para mim a escrever no computador com uma rapariga da sua escola. Ele era moreno, tinha cabelos castanhos escuros, olhos castanhos brilhantes, face definida, as vezes com barba no queixo de 3 dias, alto com ombros largos e musculado. Ele estava com uma camisola de manga curta preta justa e umas calças de ganga desfiadas. A rapariga ao seu lado era loira com olhos azuis e pálida, parecia uma boneca de porcelana... usava uma túnica que ia até meio da coxa e saltos. E tinha muita maquilhagem, ela estava a segurar um livro e falava para ele sorrindo demasiado, mas ele estava ocupado a trabalhar no computador. 
Já não era a primeira vez que reparar neles, mas eu não queria olhar mais, concentrei-me no meu livro de historia e no meu caderno onde estava a fazer um pequeno trabalho sobre a guerra civil, mas já tinha acabado, o que significava que todos os meus trabalhos estavam feitos e eu queria ir para o quarto, só que não queria ver aquilo, pensei olhando de relance, reparando nas costas que pareciam rígidas. 
Sem estar a empatar, arrumei o meu livro na prateleira e deixei o meu caderno na mesa. Na outra parede tinha um sofá e instrumentos de musica quando passei pelo piano toquei algumas notas de Clair de Lune antes de sair do escritório. Desci as escadas indo a cozinha passando pelo escritório do meu pai que estava vazio como sempre porque ele estava sempre a trabalhar, ele era presidente numa firma de advogados. Peguei numa coca-cola, e subi para o meu quarto com intenções de ir para o meu refugio. Mas quando abri a porta as cortinas estavam fechadas, ele só fazia isso quando precisava de privacidade. Engoli em seco, tentando não pensar no que estaria a se passar no quarto.
Um pouco atordoada puxei as cortinas mas fiz demasiada força que tropecei numa cadeira e bati com a cabeça na mesinha que tinha a beira do sofá, perdendo a consciência. 

- Eve? - Perguntou uma voz rouca com um leve sotaque britânico, enquanto sentia leves pancadas na cara fazendo-me acordar. 
A inicio a única coisa que sentia era uma dor intensa na cabeça, e uma mão na minha cara. Eu abri os olhos e a primeira coisa que reparei foi uns olhos castanhos escuros brilhantes cheios de preocupação, demorei a reconhecer que era o meu vizinho. Atrapalhada tentei-me afastar mas estava demasiado atordoada. 
- Calma, não te mexas - disse olhando para a minha testa. Arrepiei-me quando ele passou levemente pela minha testa. - Tu bateste com a cabeça, apenas mantém-te quieta por um segundo e segue o meu dedo. 
De repente, estava com uma pequena lanterna a apontar para os meus olhos, eu segui o seu dedo que se mexeu da esquerda para a direita e para cima e para baixo. Ele apagou a luz e olhou para mim ainda preocupado. 
- Sentes-te bem? Não tens ânsias? Nem tonturas? - Perguntou e quando eu tentei responder com um acenar da cabeça ele segurou o meu queixo para eu não me mexi. 
Prendi a respiração ao sentir o seu toque e parei. 
- Responde, fala comigo - disse calmamente. 
- Não, não tenho - respondi. 
- Okay - disse sorrindo. - Não parece que estejas com um contusão. 
Ele afastou-se e levantou-se e baixou-se ao meu lado ajudando-me a levantar e de seguida rapidamente colocou no sofá de vinil branco sentando-me. Eu olhei para ele espantada, ele estava ofegante e um pouco transpirado. 
- Como é que sabes se tenho ou não? - Perguntei com a voz seca. 
- Eu jogo futebol americano, acredita, eu sei que não tens - disse e abaixou-se a minha frente passando a mão pela minha testa afastando o meu cabelo. 
- O que é que estás aqui a fazer? Como entraste? E como sabes o meu nome? - Perguntei tentando afasta-lo mas ele segurou a mão para eu não me mexer. 
Eu olhei para o quarto dele, era grande com paredes azuis escuras, uma cama de casal com a cama feita, um armário de madeira castanha, uma secretaria com a cadeira caída no chão e as cortinas foram puxadas de forma desajeitada, não havia sinais da rapariga em lado nenhum. Ele obrigou-me a olhar para ele de frente. 
- Vais ficar com um papo enorme na cabeça - disse sorrindo e então parou de mexer na minha testa. - Bem, depois da minha colega de turma sair, eu ia tomar banho por isso fechei as cortinas, mas quando vi que não estavas no escritório e que era uma questão de tempo para estares no teu quarto dei uma espiada e vi-te caída - disse ficando corado nas bochechas enquanto sorria - não é como se eu andasse a te espiar, é só um habito, percebes isso?
Eu estava confuso, ele estava a admitir que tal como eu me observava. Eu não sabia o que pensar, mordi o lábio e acenei levemente corando. 
- Quando percebi que estavas desmaiada corri para a tua casa, só que as portas estavam todas fechadas menos uma janela da sala, eu saltei e agora estamos aqui. - Disse rindo e então olhou-me serio. - Desculpa, eu não queria estar a invadir a tua casa assim mas estavas desmaiada e não mexias, eu nem pensei. 
- Eu percebo - sussurrei ainda espantada.
Ele acenou levemente e levantou-se. 
- Podes me dizer onde tens medicamentos, devias de tomar uma aspirina para te aliviar a dor de cabeça - disse sorrindo. 
- Na cozinha na gaveta a beira do frigorífico - disse ainda a pensar que estava a sonhar. 
Ele pegou na coca-cola que estava caída e deu-ma. 
- Pressiona contra a cabeça - disse e saiu do quarto. 
 Uau! Como é que isto aconteceu? Num segundo estava a tentar não pensar nele com a sua amiga num quarto, noutro estava a bater com a cabeça e no outro ele estava no meu quarto, preocupado comigo. Suspirei e coloquei a coca-cola fria na minha cabeça, aliviando-me um pouco da dor e não pude deixar de ver a ironia da situação. Durante muito tempo imaginava-me a ir ter com ele no meio da rua para falar com ele e me apresentar, mas nunca tivera coragem quando o via na rua a passear com os amigos. E agora ele estava na minha casa, pensei dando uma gargalhada começando a andar de um lado para o outro no quarto. Espera, ele está na minha casa!? De repente a porta abriu-se e eu dei um salto assustada atirando a lata contra a pessoa que estava a entrar. O rapaz agarrou a lata e parou tentando não rir. 
- Desculpa, sou só eu - disse abrindo os braços num gesto de rendição. - Eu não te vou fazer mal. 
Eu ri-me e parei de seguida ao sentir a minha cabeça a latejar. 
- Desculpa, não estou habituada a ter rapazes aqui e muito menos pessoas que não conheço. 
- Oh vá lá, Eve, nós nos conhecemos, estes meses todos a viver ao lado de um do outro, a partilhar as mesmas vistas, nós meio que nos conhecemos, tens que admitir - disse sorrindo atirando-me a coca-cola que eu agarrei. - Já agora eu peguei numa coca-cola para mim. 
Fiquei admirada com o seu jeito natural e descontraído, ele deu-me os comprimidos e sentou-se no sofá. Eu coloquei a minha coca-cola na mesinha e foi até a minha casa de banho que ficava atrás dele pegando num copo enchendo-o de água.
- Como é que sabes o meu nome? - Perguntei antes de tomar o medicamento.
- Vivemos ao lado de um do outro e todos os dias corres de manha quando vou para a escola, um dia o teu pai chamou por ti eu estava sair de casa - disse dentro do quarto.
Eu respirei fundo e observei-me no espelho, o meu cabelo castanho estava solto e longo, a minha face estava um pouco corada com a situação, com a testa vermelha e um pouco inchada em cima da sobrancelha direita, os meus olhos castanhos estavam a brilhar, e estava a morder o lábio. Eu não sabia o que fazer, pensei olhando de relance para o quarto vendo-o a olhar para a janela do meu quarto que era como o meu escritório, a parede toda era de vidro tal como no quarto dele. Tinha um sofá no centro do quarto com um mesinha ao lado e um candeeiro, um armário branco e a cama encostada a parede com colcha azul marinho que combinava com as cortinas azuis, com duas mesinhas de cabeceira. E agora o que é que eu ia fazer?
Sai da casa de banho e ele olhou para mim sorrindo.
- Estás bem? - Perguntou-me preocupado.
- Acho que sim, olha obrigada por teres vindo mas eu acho que já estou bem por isso podes...
- Eve - chamou uma voz do corredor.
Era o meu pai, tanto eu como o rapaz olhamos para a porta sobressaltados.
- É o meu pai, ele não te pode ver aqui - disse agarrando na mão dele puxando-o.
- Não me digas que vais me esconder no armário? - Perguntou baixo rindo mas andou rápido.
Puxei-o para a casa de banho.
- Preferes debaixo da cama?
- Já alguém te disse que tratas mesmo mal os teus convidados? - Perguntou sorrindo.
- Tu não és o meu convidado, tu é que entraste aqui sem ser convidado - disse tentando fechar a porta mas ele não me deixou.
- Okay, então estás a tratar mal o teu cavaleiro andante? Não vais me apresentar ao teu pai? Ele tem todo direito de conhecer o seu genro - disse sorrindo divertido.
Eu fiquei de boca aberta a olhar para ele sem saber o que lhe dizer mas a porta abriu-se e eu fechei-o na casa de banho saltando para o sofá escorregando para o chão deitando ao chão a mesinha e o candeeiro. Eia hoje era o meu dia, pensei bufando sentindo dor no meu cu.
- Eve? - Perguntou o meu pai ao me ver no chão. - Estás bem?
- Oh pai, és tu - disse tentando agir normalmente e olhei para a mesa. - Acho que adormeci e quando entraste cai.
Ele riu-se e fez menção de me ajudar mas eu acenei para ele ficar onde estava e eu levantei-me sozinha.
- Continuas a ser desajeitada - disse rindo e de seguida ficou desconfiado. - Eu podia jurar que tinha ouvido alguém aqui dentro.
Eu corei e esforcei-me para dar uma gargalhada mas saiu demasiado forçada eu encostei-me a cama quase caindo quando calculei mal a distancia e sentei-me.
- Devia de ser eu a falar a dormir.
Ele olhou para mim confuso e desconfiado, eu prendi a respiração sabendo que ele ia descobrir, mas então ele encolheu os ombros.
- Vim a casa para te avisar que vou estar fora até tarde, tenho um jantar de trabalho, tens comida no congelador, diverte-te mas quero que vás para a cama cedo, okay? - Perguntou-me e eu acenei sorrindo e ele saiu.
Ele fechou a porta e eu afundei no chão colocando a cabeça entre as pernas, tentando respirar. Eu tinha acabado de mentir ao meu pai, havia um rapaz que eu sempre desejei conhecer na minha casa de banho e a minha cabeça e o meu cu doía-me. O que podia acontecer a seguir? Senti o carro do meu pai sair de casa e a porta da casa de banho abriu-se, mas eu não olhei para ele.
- Uau, tu és mesmo desastrada não és? - Perguntou rindo. - Estás bem?
Eu olhei para ele, ele estava de pé de braços cruzados e na cabeça tinha o meu lenço da bandeira da Inglaterra, parecia um gajo perigoso se não fosse o facto dele ter posto o lenço fazendo com que o cabelo ficasse todo de pé. Sem conseguir evitar ri-me e ele sentou-se no sofá.
- Ei, fica me bem! Pará de rir! - Disse tentando estar serio.
- Isso é meu - disse rindo-me. - E não, não te fica bem.
Ele colocou a mão sobre o peito e olhou-me incrédulo.
- Estás a destruir o amor que tenho pelo meu país! - Exclamou e pegou nas coca-colas que estavam no chão e bateu 3 vezes nas tampas em cada uma e estendeu-me uma lata.
- Não faço por mal, mas não fica nada bem.
Eu peguei nela e abria e espantada não estourou, ele abriu a sua e estendeu-a a mim como se tivesse a fazer um brinde. Eu sorri e ele então olhou-me serio.
- Ainda não respondeste a minha pergunta, estás bem? Doí-te alguma coisa?
- A minha cabeça e o meu cu.
- Acontece aos melhores - sussurrou contra a lata bebendo e de seguida pegou na mesa e endireitou-a e o candeeiro. - Mas a ti, deves ter a sorte invertida, não?
Eu desviei o olhar para a janela, vendo o quarto dele.
- Observas-me muitas vezes? - Perguntei de repente incomodada.
Ele desta vez não tentou passar-se por engraçado ou fazer piadas, corou e ficou cauteloso.
- Bem, não é como se fizesse de propósito, Eve. Apenas foi algo que aconteceu, um dia estava a ler e reparei em ti a dançar e cantar - disse e corei encostando-me a cama admirada. - A partir dai não consigo evitar. Reparei que tens aulas em casa, reparei que adoras correr de manha, de nadar, que adoras ler neste sofá com apenas o candeeiro aceso e que quando vais dormir ficas até as tantas a ler com uma pequena lanterna ou a observar as estrelas com o telescópio. E que as vezes desapareces para o sótão - disse apontando para o alçapão no tecto onde tinha uma pequena porta que quando abria saia umas escadas de madeira.
Eu fiquei a olhar para ele admirada sem ter certeza se devia ou não me sentir ofendida. Mas em lugar disso só senti uma ligeira sensação de felicidade ao me aperceber que ele reparara em mim.
- Eu nem sei o teu nome - sussurrei admirada ainda.
- William Stones - disse dando ligeiro sorriso ao ver que eu ainda não tinha reagido a sua confissão.- Espero que não fiques a pensar que sou um pervertido.
Ele sorriu mais um pouco e eu não pude deixar de rir, ele a dizer aquilo com o lenço na cabeça parecia um maluco.
- Não - disse sorrindo. - Eu faço o mesmo... - corei e ele riu-se. - Não, quero dizer apenas também não posso deixar de reparar, somos vizinhos partilhamos a vista dos nossos quartos, é impossível deixar de reparar.
- E no que é que já reparas-te? - Perguntou curioso com a lata da coca-cola na mão.
Desviei o olhar e olhei para o quarto dele vendo os posters de cidades na parede onde tinha a secretaria e sorri lembrando-me que fora a primeira coisa que ele porá no quarto.
- Reparei que quando acordas rabugento pões musica alta, ouve-se daqui, gostas de 30 Seconds To Mars,  os Lords*, The Script, One Republic, The Lawsons, My Bloddy Valentine e Maron 5 - disse sorrindo lembrando-me algumas manhãs. - Acho que ajuda-te a acordar e ajuda-me também para falar a verdade.
- Desculpa por isso - disse sorrindo corado. - Para a próxima terei cuidado.
- Não, não mudes isso, é que o engraçado nesses dias é a única coisa que me acorda - disse envergonhada.
- Okay, o que mais?
Bebi um pouco da coca-cola pensativa e envergonhada e encostei a lata a testa.
- Quando chegas a casa vais logo para o quarto e fazes exercício durante muito tempo nessa altura tenho aulas de violino e eu pratico perto da janela - disse encolhendo os ombros e ele acenou. - Quando não praticas sei que vais ter jogo, e no dia de jogo tu acordas as 5 da manha e vais correr. Se perdes um jogo pões a musica alta e ficas mal humorado, mas é rara as vezes.
Ele riu-se divertido e encostou-se no sofá a observar-me.
- Lês livros pesados de todo o género, não tens medo nem vergonha disso - disse pensando nas vezes em que ele tinha amigos com ele. - E quando estás em baixo ou algo te incomoda não paras de andar de um lado para o outro no quarto.
 Ele sorriu levemente e acenou antes de olhar para mim.
- Há muito tempo que ando a espera de uma oportunidade de te conhecer mas nunca pensei que seria desta maneira - disse rindo pousando a lata na mesa.
- Porque é que querias me conhecer? - Perguntei confusa.
Ele deu uma gargalhada e olhou para mim como se fosse óbvio, eu apenas olhei para ele sem perceber o que é que ele queria dizer, ele riu-se de novo.
- Oh, vá lá Eve, ter uma rapariga bonita como vista todos os dias tem as suas vantagens - disse sorrindo arqueando a sobrancelha.
Indignada atirei-lhe uma almofada apanhando-o desprevenido acertando-o na cara, a almofada caiu aos seus pés e ele olhou para mim espantado.
- Que foi? Eu só estou a dizer que era engraçado sermos amigos, podíamos conversar através da janela. - Disse encolhendo os ombros. - Vais-me dizer que nunca quiseste me conhecer?
- Claro, mas... porque parecias ser simpático.
- Não me digas que eu não sou simpático?
- Assim, assim - disse encolhendo os ombros.
Desta vez foi eu que levei com a almofada, nós rimos de seguida mas então ficamos calados a olhar um para o outro sem saber o que fazer, ele tirou o lenço da cabeça e enrolou-o no pulso e fez meio sorriso como se estivesse descontente.
- Bem, tenho que ir - disse levantando-se, eu levantei-me e acenei seguindo-o para fora do quarto descendo para a cozinha, ele parou na porta das traseira e olhou para mim. - Se alguma coisa acontecer, estou mesmo aqui ao lado, está bem? E eu vou ficar com o lenço, é de maneira que és obrigada a ir ter comigo para eu te devolver.
Eu ri-me ficando envergonhada. Ele abriu a porta e então olhou para mim.
- Estou a falar a serio, Eve - disse sorrindo. - Eu quero te conhecer.
- Eu também - murmurei sorrindo.
- Óptimo - disse sorrindo e de seguida olhou-me divertido - tenho que ir, tem apenas cuidado e tenta não cair em algum lugar.
- Vou tentar - disse bufando.
Ele riu-se e passou pela porta e olhou para trás de novo sorrindo fechando a porta. Observei-o saltar a vedação que separavas a nossas casas mas ele desequilibrou-se caindo, abri a porta preocupada mas ele apareceu saltando e sacudindo-se olhou para mim e ergueu os polegares.
- Estou bem - disse sorrindo.
- Ainda dizes que eu sou desastrada? - Perguntei sorrindo.
- Sim - disse sorrindo para mim de orelha a orelha e virou-se para a casa dele. - Vê-mo-nos mais logo.
E entrou em casa sem eu poder dizer alguma coisa.
Wow aquilo realmente acontecera, pensei entrando em casa, foi directa ao frigorifico abrindo o congelador tirando a lasanha que eu fizera um dia antes, aquecia no microondas e olhei para a janela enquanto aquecia. Durante meses pensara como seria conhece-lo, se ele seria divertido, se ele era demasiado serio ou se ele se ria com facilidade, mas eu não estava a espera daquilo, aquele rapaz era divertido e impressionante. Ouvi o som do microondas e peguei no prata e numa coca-cola indo para a a sala de cinema, pondo uma serie que eu via de vez em quando, colocando o prato e a coca-cola numa mesinha.
Não deixei de pensar em Will enquanto via a serie, será que ele continuaria a falar comigo ou me voltava apenas a mostrar que era apenas uma vizinha. O que é que iria acontecer a partir dai?
Seriamos amigos, falávamos ou  ignorávamos?
Uma coisa eu sabia, não queria ignorar.
Quando acabei de ver a serie e de comer, já era noite e eu tinha que ir dormir, pensei mordendo o lábio sem saber o que iria acontecer quando eu fosse para o quarto. Respirei fundo, arrumei tudo na cozinha e sem arranjar mais maneiras de evitar ir para o quarto. Subi as escadas e entrei no quarto, da janela vi que as cortinas do quarto dele estavam fechadas. Tentei não ficar desiludida e entrei na casa de banho com o pijama, tomei banho e vesti o pijama, sai da casa de banho secando o cabelo com uma toalha e parei ao reparar que as cortinas dele estavam puxadas para trás e ele estava a ler um livro no sofá encostado a janela.
Eu corei e coloquei a toalha no cesto da roupa suja e olhei para a janela de relance e vi que ele estava a olhar para mim curioso com algo na mão, eu olhei e vi que tinha um bloco de notas grande virado para mim com uma nota.
"Estás bem?"
Eu peguei num bloco que tinha dos meus trabalhos de literatura, (preferia ler e trabalhar no quarto para literatura) e escrevi rapidamente.
"Estou bem, não voltei a cair".
Ele riu-se e eu coloquei o bloco em cima da cama e apaguei a luz do quarto e eu puxei as cobertas da cama acendendo os candeeiros, peguei num livro que estava a ler e olhei para o quarto dele, ele estava a segurar o bloco.
"Vou dormir, amanha falamos?"
Eu respondi o mais rápido possível.
"Prometo. Boa Noite."
Observei-o a ir para cama, ele já estava de pijama, uma t-shirt cava com calções pretos. Ele olhou para mim e acenou-me, eu mudei a pagina rapidamente e escrevi outra nota.
"Acorda-me"
Ele leu rapidamente e riu-se colocando um polegar para cima antes de desligar as luzes ficando com o quarto completamente escuro. Não conseguia vê-lo mas ele conseguia me ver, mas invés de me sentir um pouco incomodada corei, e vi as suas cortinas se fecharem automaticamente.
Observei o meu livro sem o ler, estava demasiado irrequieta, olhei para a janela dele. O que é que ia acontecer amanhã?
Love Peace and Write 
Kisses Lovewriters
P.s: Os Lords são uma banda fictícia deste blog, em breve saberão o que quer dizer... 


2 comentários:

  1. seguindo. vi que vc escreve tambem rsrs. obrigada pela visita, quem sabe não fazemos uma parceria. rs bjus

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    1. ainda estou a aprender a "andar" no blogger como vês, mas adorava gosto mt do teu... :P bjs

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