A Voz 2#, O Lugar Onde Pertenço

julho 07, 2014



Liam

Acordei com o cabelo dela a fazer cocegas no meu peito. Abri os olhos e reparei que ela estava com uma perna sobre a minha cintura e um dos braços sobre o meu peito. E estava com a cabeça sobre o meu ombro enquanto ressonava levemente... eu nem me lembrava do nome dela,  a única coisa que me lembrava era das 12 cervejas que bebera e que ela andava a se atirar a mim desde que comecei a trabalhar no bar.

Ela tinha o cabelo loiro despenteado e com um cheiro a laca que me fez franzir o nariz, ela estava a usar uma t-shirt branca que dava para ver o seu cu arrebitado.

Boa Liam, como é deixaste isto acontecer? Disse uma voz bastante familiar na minha cabeça que me fez esfregar os olhos cansado. A ressaca fez-me doer os olhos ao olhar para a janela, estava com tamanha ressaca que até rezei para não vomitar. Com cuidado, rodeia até ficar estendida na cama como se estivesse sempre lá.

Levantei-me com cuidado para não a acordar e reuni todas as minhas roupas e sai do quarto de hotel (mesmo só usando um boxer), estava a amanhecer, tinha um ligeiro nevoeiro e o ar ainda parecia demasiado fresco, vesti rapidamente as calças e as sapatilhas, cheirei a camisola que estava a cheirar a álcool e fumo.

Espreguicei-me e olhei para as horas no telemóvel, eram quase sete, tinha ainda uns minutos para tomar banho antes de ir trabalhar, desci as escadas e olhei para o quarto de onde saiu.

Não era a primeira vez que me acontecia tal coisa, mas no entanto, tinha jurado que não voltava acontecer, essa promessa apenas durou um mês.

Mas o que podia fazer? Colocar uma trela em mim e esperar recusar quando se atiram a mim? Eu imaginava que aquela rapariga ao acordar iria direita ao bar... provavelmente fazer um escândalo ou até ter na ideia do que se passou tinha algum significado além de ser uma cena de uma noite. Resmunguei entre dentes tirando do bolso as chaves do meu quarto, abriu e foi direito ao chuveiro ignorando a montanha de roupa espalhada. Tomei um banho rápido e vesti-me em cinco minutos estava pronto e a entrar no bar que ficava perto do motel.

Mel já estava a arrumar as cadeiras das mesas quando reparou que eu estava a entrar.

- Olha quem é ele, grande show ontem a noite quem diria que cantavas assim tão bem! - Exclamou batendo palmas.

Eu resmunguei parecendo que cada som me dava uma martelada na cabeça. Fiz a calar levantando a mão enquanto ia direto para o café enchendo uma chávena e bebendo num instante sentindo-me finalmente acordado. Olhei para Mel que estava a varrer o chão, era loira de olhos verdes, corpo magro e lindo... facilmente me interessaria nela mas eu não estava nada interessado, não depois do que se passou.

Eu respirei fundo enquanto a cafeina entrava no meu sistema, foi ai que me lembrei do que Mel me disse.

-Espera, eu cantei? - Perguntei passando as mãos pelas tempuras.

- Ohhh sim, stairway to heaven- disse sorrindo enquanto varria. - Estavas a tentar seduzir a Katty e pelo que vi e pelo que vejo agora correu muito bem.

Resmunguei entre dentes enquanto a mãe de Mel entrava a Sara. Assim que me viu deu-me um abraço apertado, eu coloquei-a debaixo do meu braço.

- Liam, porque não ficas cá, podias trabalhar aqui - disse sorrindo para mim.

Sara fora a primeira pessoa que conhecera quando cheguei a Cleveland, ela era loira de cabelos curtos e notava-se que já estava com uma certa idade... ela ofereceu-me um trabalho assim que se apercebeu que eu era um nómada... um viajante. E estava a uma semana a trabalhar no bar dela.

- Agradeço a oferta mas amanhã vou me embora.

-Mas eu pensei que tu e a Katty estavam a dar se bem, ontem a noite.

Mel riu-se descaradamente e começou a abrir as janelas do bar. Eu corei a olhar para aquela senhora simpática.

- Pois, mas há um problema.

-Qual é esse? - Perguntou rindo.

- Estás a brincar, não sou homem para uma mulher!

Ela abanou a cabeça em desapontamento fingido e então passou uma mão pelo meu ombro.

- Um dia... e lembra te bem destas palavras... Vais-te apaixonar tão profundamente que quando perceberes será tarde demais. O meu conselho para ti rapaz é abre bem os olhos. Porque a próxima rapariga que entrar por aquela porta pode ser a tua alma gémea.

Nesse momento a porta da frente se abriu e uma rapariga que devo de dizer... Exagero de peso e com dentes partidos, conhecida por andar em boxe feminino da região. Tanto eu como Mel e Sara olhamos.

- Espero bem que não - murmurei o que fez com que Mel risse as gargalhadas.

A mulher pediu um café e a umas torradas. Mel começou a fazer o pequeno almoço enquanto eu e a Sara cuidávamos da caixa.

-Liam, acredita, ela está algures por ai e ela está a tentar chegar aqui o mais rápido possível.

-Mas Sara eu já estou apaixonado - disse rindo.

Eu sai do balcão pegando num pano para limpar as mesas.

- A serio, estás?

- Oh, sim! Ela tem curvas, magra, as vezes pode ser... bastante flexível... outras vezes ela consegue tão teimosa indo apenas numa direção e pode levar-me a lugares loucos que me levam a êxtase...

-Liam!

Exclamou Sara, eu estava tão entretido a limpar as mesas que não reparei que elas estavam a olhar para mim, espantadas.

- Calma, é a estrada!

Mel riu-se de novo enquanto ambas as mulheres abanando a cabeça.

Mas era verdade, o meu único grande amor era a estrada e não via a hora de estar nela, percorre-la... Hum, era uma relação de uma via mas que era perfeita e não precisava mais que isso.

Durante horas em que servia, falava e cozinhava no bar por isso quando chegou a meio dia e foi comer fiquei supresso por ver a Katty a entrar e ir direta para a minha mesa.

- Hey babe, saíste tão cedo, nem deu para me despedir de ti. - Disse colocando ambas as mãos na mesa fazendo com que os seus seios quase saltassem para fora da camisola.

- Pois, eu tinha que vir embora, sabes como é tem que se trabalhar.

-Pois e o teu turno acaba agora não é? Talvez pudéssemos ir para o quarto de novo... - disse com os olhos verdes dilatados.

- Hum é melhor não, vou trabalhar a noite e tenho que dormir.

- Talvez amanhã? Ou no final do turno da noite.

Engoli em seco a rapariga não ia desistir tão facilmente, isso não era bom.

- Amanhã vou me embora, Katty.

Disse de forma brusca e direta que fez com que ela se endireitasse olhando para mim confusa e magoada. Detestava isto. Ela mordeu o lábio e piscou duas vezes olhando para mim.

- Oh, eu pensei que... ontem... hum é melhor ir indo então. - Disse e sem esperar duas vezes por algo que eu deva dizer, virou se atravessou o bar até ao balcão, movendo a anca de tal maneira que era impossível não olhar para aquele cu a sair dos mini calcões que usava. Eu nem devia de olhar, foi aquele cu que me levou para cama ontem a noite.

Depois de almoçar, despedi-me de Mel e de Sara e foi direto para o Motel onde cai na cama e adormeci de imediato.

Quando acordei eram 7 e 30 da tarde sai da cama e tomei um banho rápido, vestindo uma camisa preta e umas calças de ganga, calcei as minhas botas, e sai do quarto.

Era altura de pagar, a minha ultima noite que iria passar aqui e de amanhã a tarde, iria pegar no meu camaro e ir para Illinois. Estava farto de estar parado. Foi em direção a receção que ficava perto do bar. Estava prestes a entrar quando reparei numa rapariga de Jersey e uns shorts azuis com umas sapatilhas. Ela tinha o cabelo castanho despenteado e parecia bastante baixa. Mas paralisei quando ouvi-a falar.

- Um quarto por uma noite, por favor - disse baixo e com a voz rouca.

O rapaz entregou-lhe a chave e ela virou-se e saiu pela porta lateral, indo para um Ford azul classico. Ela entrou no carro e entrou no parque de estacionamento

Aquela voz... Deus, odiava aquela voz e por consequência odiava-a. Empurrei para baixo todos os meus pensamentos e entrei na receção.

- Liam, ei! Que fazes?? - Perguntou-me Mike.

- Ei Mike, vim pagar está noite vou embora amanhã.

- A serio? Eu pensei que ias ficar, vi-te tão agarrado a Katty - disse sorrindo.

A serio? Quem é que não esteve no bar ontem a noite. Estava a começar a ser irritante... De certeza que estava como capa de jornal hoje, apostava que sim, aqui as noticias eram escassas no entanto quando havia era como se alguém andasse com um sino: Ultimas noticias, ouçam Liam foi para a cama com Katty e existe possibilidade de ele casar com ela, ter filhos e ter um problema de álcool. Fiquem atentos!

Sim, era bem provável...

- Apenas uma noite - disse encolhendo os ombros.

Ele sorriu e então deu-me o recibo e eu paguei com cartão de credito. Sai da receção e foi para o bar. Jules estava hoje comigo e com a Mel. Eu detestava aquele gajo... era um desgraçado que estava a rondar Mel de um maneira nojenta que me fazia querer dar-lhe um murro. Ele estava no balcão a falar com uns camionistas, enquanto Mel tratava da comida. Assim que me sentei no balcão, ela deslizou um prato com hamburger e batatas fritas e uma Coca-Cola com gelo e limão.

- E a cerveja? - Perguntei indignado.

- Nem penses que vou-te dar uma cerveja depois do que se passou ontem - disse sorrindo.

Revirei os olhos, enquanto comia notei que estava a ser observado por algumas raparigas e uma delas era Katty, revirei os olhos ficando feliz por me ir embora amanhã.

Durante duas horas, não parei de trabalhar enquanto pessoas que estavam em viagem paravam para comer alguma coisa, ou até mesmo os fregueses habituais. Mas a minha a mente estava a percorrer a estrada.

Não havia razões, medos, incertezas ou culpas para estar na estrada, apenas tinha que o fazer e estava a adorar não ter responsabilidades nenhumas sobre a minha vida a não ser a estrada.

No entanto tinha que ter dinheiro se queria comer e ter lugar onde dormir por isso estava a trabalhar no café do motel a duas semanas, os donos tinham sido incrivelmente generosos com a minha estadia, também não pedira por muito apenas um lugar para dormir. Mas estava a sentir falta da estrada.


Olhei para a porta quando ouvi o pequeno sino a tocar, uma rapariga de cabelos castanhos arruivados longos despenteados e com olheiras debaixo daqueles olhos verdes entrou abaixando a cabeça ao repara que no balcão tinha só homens que aperceberam-se da sua presença. Revirei os olhos, limpando um copo, enquanto repara que ela se sentava numa mesa e pegava no menu. Ela estava com a roupa amarrotada e parecia que estava acordada a horas de dirigir na estrada, e eu conhecia aquele olhar. Ela estava a procura de sonhos e aventuras. No entanto parecia perdida... E por alguma razão senti-me tentado a mostrar-lhe tudo...


Mas eu não podia... nem pensar, aquela voz me fazia estremecer só de pensar... Estava a ser assombrado!

+Rosana Maia dedicado a ti, rapariga

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