sábado, 5 de julho de 2014

O Começo, O Lugar Onde Pertenço...


Ella
Tinha acabado agora o primeiro ano de faculdade e estava exausta, eu mal tinha tempo para ter uma vida social. Era faculdade, trabalho no supermercado e casa, não tinha tempo para nada. E estava a ficar saturada, não tinha tido tempo para mim, não tinha saído da casa que tinha alugado com a minha melhor amiga. 

Era algo que eu não podia evitar, se queria ser psicóloga, mas a verdade é que já perdera a vontade de tirar o curso. Tinha acabado por passar com média de 19 no entanto tem sido uma tortura o stress, principalmente quando ainda depois da escola vou trabalhar cerca de 5 a 6 horas num supermercado. A minha mãe tentara-me ajudar com as despesas só que isso era admitir que estava a precisar de ajuda. E eu não gostava de ajudas, agora pelo menos, não precisava, estava financeiramente bem. Não precisava de ajuda por isso hoje despedi-me e a ideia de não estar a fazer nada não me estava a deixar dormir. 

Sai da cama e foi até a cozinha, Mary estava no computador, quando entrei ela olhou para mim desconfiada. 

Eu conhecia-a aos anos e sabia bem que se queria esconder algo dela teria que estar no melhor humor, mas nesta noite não estava no meu melhor humor. 

- Ella, estás bem? – Perguntou chamando-me a atenção enquanto ia ao frigorífico

Eu olhei para ela e vi que ela era loira de olhos azuis, ela tinha pele de porcelana perfeita, o cabelo dela era longo e encaracolado parecendo um véu despenteado, ela estava sem as lentes contacto e estava a usar um rayn ban pretos e brancos, ela estava a fazer o final de um trabalho de economia, ela estava a usar uma t-shirt larga e uns shorts. Encolhi os ombros pegando num iogurte. 

- Mais ou menos – murmurei e sentei-me a frente dela na pequena ilha da cozinha que dividíamos.

Ela franziu os lábios enquanto teclava enquanto eu comia. 

- Fizeste bem despedir-te Ella, não te stresses, estás em férias. O que vais fazer? Vais para casa?

- Aturar a minha mãe a dizer que devia ter ido para medicina e o meu pai a chatear-me que eu devia de ir para direito. Nem pensar! 

- E o Sam?

Franzi os lábios e olhei para o iogurte. Era a pergunta mais repetida da semana e estava farta de ouvir, sabem quando um relógio cuco está sempre a fazer a tocar, bem era assim, era um martelada sempre que ouvia está pergunta era horrível, fazia o meu coração apertar e olhar para baixo. 

- O habitual – disse encolhendo os ombros. 

Ela desviou o olhar e fechou o computador e levantou-se para ir para a cama. 

- Talvez devesses ir embora, espairecer e ir dar uma volta, viajar.

- Não, eu estou a pensar em concorrer para a biblioteca. Trabalhar como estagiaria. 

- Tu é que sabes, eu vou para Texas, para um rancho se quiseres podes vir. – disse indo para o quarto. 

- Eu vou pensar nisso – murmurei no momento em que ela fechou a porta.

A ideia de passar uns meses no Texas, um sitio que eu não conhecia e provavelmente iria estar  a fazer nada, tinha 19 anos… Eu queria… tanta coisa mas não tinha coragem para nada, pensei levantando-me indo para o quarto. Ao entrar olhei para o espelho, eu era baixa de olhos verdes, morena, com cabelo castanho longo até a cintura enquanto, eu estava com um t-shirt enorme azul longa até as cochas. Eu parecia confusa e cansada. 

Deitei-me e desliguei a luz e tentei adormecer mas não conseguia… estava tão farta, tudo o que se passara deixara-me tão desfeita e tão confusa… universidade, supermercado, casa, universidade… Estava dependente desta rotina e não fazia o que queria desde a anos… eu tinha sonhos, queria viajar, pegar no carro e ir… Porque não? Porque não o fazia? Eu podia viajar, visitar lugares, sozinha e curar as minhas feridas. 

Mas eu não podia fazer… Largar tudo, sem pensar duas vezes, podia correr perigos ou ser roubada, ou até raptada… Eu podia ter um acidente… Okay, estou delirar e a ter um ataque de pânico mesmo nem tomando uma decisão definitiva. 

Peguei no pc e foi ao blog que eu seguia com frequência, que se chamava Life On The Road, era sobre um rapaz que estava a fazer uma road trip durante um, ano esteve em Itália, em França, na Alemanha e neste momento estava na América. O último post era sobre Chicago, onde ele colocou-se a trabalhar num bar para poder continuar a sua viagem, tinha fantásticas fotos de locais sobre Chicago. 

Eu podia sonhar, com a ideia de viajar com a ajuda do anónimo mas infelizmente, era só uma ideia… afinal era algo que eu sempre podia sonhar…

Estava a ler o post quando vi que tinha uma mensagem para mim, porque eu as vezes comentava alguns dos posts. 

“AnonimaSonhadora, as vezes sonhos são para ser seguidos, talvez seja altura de largar tudo e ir atrás deles. O que tens a perder? Duas semanas? Um ano? Nada muda, nada é perdido se souberes organizar a tua vida e souberes como conseguir os teus sonhos, conseguiras. E se perderes, é como dizem a que cair para aprender a andar.”

Wow, está não estava a espera… Respirei fundo e sem pensar duas vezes fechei o pc e comecei a fazer a mala, peguei em calças, calções, tops, camisolas, roupa interior, calçado numa mala grande. Peguei no pc e o carregador e pôs na mochila, o tablet, a minha máquina fotográfica, a minha polaroid e varias recargas, coloquei também vários carregadores para o carro e verifiquei se tinha todos os meus documentos. Vesti uma roupa mais apropriada e sai do quarto de malas na mão, foi até a cozinha e escrevi um bilhete apressado a Mary, calcei as sapatilhas e sai do apartamento, e desci as escadas até a garagem onde estava o meu lindo e clássico ford azul com listas, que era um descapotável, coloquei as malas na mala do carro e foi e entrei no carro sorrindo e sentindo uma adrenalina louca a passar por mim, enquanto ligava o carro e estava a dar a musica, Come on, let’s go dos Girl in a coma! Sorri por que era apropriado, eu estava pronta. 

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