A Rua dos Candeeiros ... Pensamentos

maio 16, 2017


Não devia de ser assim...
Da maneira como sentia enquanto caminhava, o chão coberto de gravilha, e quase conseguia sentia o frio sobre os finos sapatos de pano, era quase como se não estivesse mesmo presente. Era algo vazio, frio, sem qualquer luz, apenas havia escuridão. Não sentia nada, olhava para a estrada a minha frente sem ter qualquer objetivo, sem qualquer pensamento que me fizesse sair daquela espiral, daquele manto negro, que cobria-me.
Cada passo que dava naquela rua, iluminada por candeeiros, era como apenas fosse um eco de desespero que apenas cobria cada pensamento.
Aqueles que passavam por mim, observavam-me com olhares clínicos, como se julgassem a minha pessoa sem mesmo me conhecer. Olhares frios, sem cor, impessoais... era como se fossem demónios, a espera de fazer o seu próprio julgamento. Eram quase como poços negros.
Não havia luz, nenhuma luz que me afastasse daquela tortura negra e gelada, não havia esperança, não havia sentimento.
A dor que sentia, uma dor paralisante, desesperante, nervosa que sentia todos os dias desaparecia aos poucos deixando apenas o vazio.
Era como se andasse sobre gelo... ele estava estalado, prestes a quebrar... prestes a libertar-me daquela escuridão.

Escrito por Patrícia Ferreira, autora deste blog e de Ameaça de Um Anjo.
Credito das fotos @PatríciaFerreira

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