O Principe (Des)Encantado




Em toda a nossa vida existe sempre aquele romance que nos marca mais, quer seja o primeiro beijo, o primeiro a ir a cama ou o primeiro a ser posto da porta fora, ou aquele que nos destroça o coração. Porque nós infelizmente, pensamos sempre que o príncipe encantado é sempre aquele que vira a seguir. E não interpretem-me mal, não sou pessoa de gozar com aqueles que acreditam no romance... apenas gosto de um romance mais realista.

O que eu estou para contar, tem a ver com a minha amiga Bea, uma rapariga simples que apesar de ser uma pessoa dada para romances talvez não confiante para cingir-se num. Poderia dizer também, que quando se apaixona, apaixona-se perdidamente e não tem maneira de esquecer a pessoa. Ou talvez tenha... se tivesse a força de vontade ou encontrasse uma pessoa que fizesse a descer daquela Lua e ir de novo para a Terra.

E como Bea se apaixona perdidamente, para deixar de gostar de um rapaz foi preciso dois anos, e muitas aventuras desnaturadas com amigas para poder tentar entrar outra vez na procura e ela conseguiu encontrar alguém. E para esse, eu terei que chamar o Príncipe Encantado.

Há sempre aquele rapaz, cordial, simpático, bonito, gentil de falinhas mansas que parece que nos apanha no seu engodo, que nos chama  princesas, que jura estar connosco para o fim da nossa vida e que não faz ideia de como seria viver sem nós, aquele típico de homem que irá matar dragões por nós. Porque é que os homens tem a impressão que temos que ser salvas? Eu nunca irei saber como este tipo de pensamento funciona. Eu acredito que sejamos independentes e capazes de tomar conta de nós. Mas talvez seja de mim.

E agora há raparigas, como Bea, que os homens pensam que não existem, que são capazes de viver sem ter a constante presença de um homem constantemente. E Bea é assim, ela é o tipo de rapariga que só manda sms quando quer, o tipo de rapariga que até pode ser considerada um pouco fria porque não se entrega de uma vez a um rapaz. Ela de carinhos por exemplo é raro, mas quando existe é sincero. Mas isto não é sobre Bea quero falar sobre o Príncipe Encantado que ela encontrou. 

Das Duas Uma, Ou É Muito Bom Para Ser Verdade, Ou Ele É Um Grande Mentiroso... 

Ora bem, este Príncipe quando Bea conheceu, bem para começar ele era lindo, então claro que chamou a atenção, apesar de que as vezes a capa não tem nada a ver com o conteúdo. É esse o problema, o que atrai é a embalagem, nem sempre é o que está lá dentro mas isso é um assunto que será para discutir mais tarde. 

Como sempre acontece visto que estes dois se viam quase todos os dias, as "brincadeiras" e conversas começaram devagar mas sempre com grande entusiasmo, ora Bea não pode deixar de notar como ele falava para as miúdas, e claro que com o passar do tempo não pode deixar de ficar um pouco invejosa até que finalmente! Um date! 

Para  mim, visto que estava fora dos círculos destes dois apenas encorajei Bea a arriscar essa saída, mesmo não sabendo as intenções do Príncipe. Poderia dizer pelo rumo das conversas que ele parecia uma boa pessoa e que parecia interessado em conhece-la. O primeiro encontro fora apenas um café, nada demais, nem acontecera nada. E eu pensei, porreiro, se fosse outro já teria tentado alguma coisa. 

O segundo foi quando as coisas aqueceram, eles saíram e beijaram-se o que fantástico para Bela! Mas ai foi quando as mensagens constantes dele começaram, "és tão fofinha, és uma rapariga muito especial para mim" "Estás ai?" Aquele género de conversa que Bea me mostrava e eu pensava que gaja autentica. E eu só pensava " mostra dignidade rapaz", porque Bea é parecida comigo nesse aspecto, não gosto assim tanto de mel. Mas para minha surpresa Bea estava a gostar. 

Lá está, relacionamentos fazem uma pessoa alterar o seu sentido de prespectiva de uma maneira que deixa de ser quem é, e se isso fosse inteiramente bom acho que teria que falar com certas pessoas para se apaixonarem e mudarem a sua personalidade num raio de 360º. Mas acontece o seguinte, no inicio de cada relacionamento a sempre aquilo, a qual eu gosto de chamar "A Cedência". Ou seja nos cedemos a personalidade da outra pessoa, com medo de a perder/ mostrar quem realmente somos.  E Bea cedeu aqueles momentos românticos o que para mim pareceu bem nessa altura, para ela aprender melhor sobre um relacionamento. Mas surpresa, com tanto mel uma pessoa até enjoa. 

Eles namoraram por vários meses, em que no fim de uma semana ele estava perdidamente apaixonada, com o adoro-te a mistura, e etc. Uma coisa que para Bea bem... não era o mesmo caso visto que ela gosta de levar as coisas devagar, não se sentia confortável a estar a dizer coisas como essas visto que apenas gostava do rapaz de forma razoável de quem começa um relacionamento. 

Ora o príncipe sempre parecera perfeito, mas a meu ver eu já estava a ver as coisas a irem a baixo quando Bea contou-me sobre os "adoro-te, tu também me adoras certo?" 

Para mim o que estava a ser ridículo, era o facto de ser o homem a ter o papel da mulher, porque sim somos criaturas românticas, cada uma com mais/menos amor, mas este príncipe estava a desesperar por completo, a ter aquele típica conversa de mulher, "espero um dia casar contigo, ter filhos contigo, planeio ser o teu primeiro e ultimo". Ora eu sou desconfiada por natureza, desde quando um homem fala desta maneira? Desde quando é que é o rapaz a querer prender a mulher? Mas lá está, eu sou uma pessoa que por natureza, para mim tudo tem segundas intenções e chamem-me perversa, mas a primeira coisa que pensei "este gajo está a pressiona-la para ir para a cama". Eu sou muito assim. 

E no ultimo mês é quando as coisas começam a aquecer, ele desesperadamente tenta que ela diga que o adora e que não vai o largar, acontece que Bea é muito sincera e realmente gostava dele, mas sendo uma pessoa difícil o facto de estar a ser pressionada só a afastava mais e a detestar aquele relacionamento. Agora o príncipe é o típico rapaz que até diz "eu nem imagino a minha vida sem ti". Quer dizer, antes de conheceres nem devias de existir então? Quer dizer, este é o típica conversa de mulher para ser sincera, nós entregamo-nos aos homens com o intuito de começar uma vida com eles (nem todas as mulheres, mas estou a falar no nosso estereotipo que está felizmente a ser alterado). 

Agora Bea foi tão pressionada que foi sincera com ele, gosto de ti como amigo, e seria melhor ficarmos por aqui. Uma atitude que para mim, foi mais que decente, visto que se ela continuasse com aquele relacionamento mais tarde ou mais cedo iria acabar mal para ambas as partes, ela teve a atitude que infelizmente alguns homens não tem e teve os cojones de acabar a relação com esperança de ficar tudo bem. Mas agora o Príncipe (Des)Encantado, passou-se da cabeça por completo, começou logo a dizer que ela é uma pessoa fria, que deu-lhe esperanças e que brincou com os sentimentos dela ao ponto de estar a gozar com ele (devo de lembrar que ela nunca disse adoro-te, que foi dois meses, e que se tiveram 10 vezes juntos não foi mais que isso).

A coisa mais impressionante desta historia, é que Bea fez o que tinha que fazer e fez muito bem, na minha opinião, esperando não o magoar, mas quem acabou magoada foi ela claro. E a seguir publicamente, veio as indirectas no facebook. Porque é para isso que serve o facebook, é para descontar a nossa raiva e a nossa vida publicamente. Eu não digo que realmente, ele não gostasse dela. Mas o que acontece a seguir deixou-me a pensar que a maneira como ele pensa era uma treta. 

Duas semanas depois, o príncipe já tinha uma dama, para poder se pavonear por ai, ferido mas apoiado, com indirectas a indicar "que desta vez valia a pena". Uma coisa que sinceramente, para mim faz-me ter um pouco de pena da rapariga, ainda agora está a começar e está a começar já a ser comparada com outra pessoa. 

Por isso, a minha questão é este fez durante um dois meses uma festa sobre a Bea e no final... surpresa, foi quase como trocar uma camisa, nem percebo porque teve que mandar tantas indirectas e chatear me a cabeça a minha e as amigas de Bea sobre como ela lidou com a situação e de como ela fora falsa com ele. Mas sinceramente, o que se esperava de "homens"?

p.s: Qualquer semelhança a vida real é pura coincidência.

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